Normalmente esquecemos de coisas, fatos corriqueiros,
desagradáveis do dia a dia. Esquecer um amontoado de lixo que nos deparamos
durante o dia é algo trivial e necessário. Aprendemos desde cedo, que é
importante esquecer coisas que foram ruins para nós e que nosso bem estar
depende de esquecer tais coisas. Porém, e quando nosso bem estar depende de
esquecer coisas boas? Parece contraditório, mas chega o tempo em que esquecer o que foi bom é tão importante como esquecer o
que nos fez mal. Então gera-se um conflito, pois nosso corpo, nossa memória,
nosso emocional, já estavam acostumados com tais lembranças. Nossa Alma se
nutria e desejava por esses momentos felizes.
Agora estas
lembranças passa a ser nosso purgatório. Como remover algo de nós que nos fez
tão bem? Que foi tão bom? Algo que fez tão feliz? Como tanta felicidade pode
o de uma hora para outra passar a ser
nosso inferno?
Remover esses momentos bons de nossa alma, é como separar o
Ouro 18K, o ouro do cobre. Só se faz com altas temperaturas, altos sofrimentos. É como arrancar uma
árvore já frondosa com suas raízes. Raízes que já penetraram profundamente. É
como rasgar o coração com as próprias mãos para que a essência do mais doce
perfume evapore e para sempre desapareça. É se consumir em chamas, para que das
cinzas possa renascer como a Fênix.
Esquecer momentos felizes para poder sobreviver, és o grande
paradoxo. Infelizmente, chegamos ao cume de algo que parece absurdo, esquecer
os momentos felizes para poder viver.
Então se já temos a cota de coisas ruins e precisamos
remover o que de bom existia em nós, lançamos nossa alma na mais profunda e
tenebrosa escuridão.
É um exercício doloroso de morte, para depois ressurgir algo
que não sabemos ao certo o que será e quando será.
Perambulas pelas ruas,
sem rumo, sem direção.
Teu quarto é a prisão profunda,
povoada de alucinações.
Fantasmas se divertem,
zombam de tua emoção.
Do passado, do presente,
emergem com prontidão.
E bebem teu sangue em taças,
com grande satisfação.
Tua súplica vacilante,
não tem eco, não tem noção.
Em vão se busca ajuda,
e não tem consolação.
Sozinho na noite escura,
caminhas por obrigação,
sem contenda e a perigo,
rumo a tua destruição.
O inferno é a mais valia,
é o ponto de culminação.
Teu céu é a desgraça,
lugar de sublimação.
A espada da vitória,
cravada na pedra do
teu coração,
Impede o prumo, a glória,
a tua realização.
A química que tu ingeres,
é o veneno que te catequisa,
te obriga, faz divisão.
Por um lado te exaltisa,
por outro robotização.
Segues no mundo
como um trapo,
sem rumo, sem laço,
até o dia da redenção.
Vago no silêncio da madrugada
a procurar a lembrança, resquicios
de tua essência
Teu perfume, teu halo
teu vulto, como a um fantásma
De olhos fechados, imerso
dentro de uma escuridão interior
Borbulham recordações estacatas
lampejos de momentos raros,
relicário da alma
E neste bombardeio fugente
tenta-se saciar das pequenas gotas
Invadido de tal estado imediato
estatico, congelado para o mundo
Em vão tenta-se destilar a saiva
que do passado emerge e neste
permanesce involuntário