sexta-feira, 13 de julho de 2012

Soneto da Barra


Barra fria,
tua tarde sombria.
Na sexta-feira 13
 se anuncia.

Enche meu olhar de melancolia
Teu rosto branco,
no céu se descrevia.
 pelágia da alma

Barra, se esbarra
 em minha barra
Desgata os resquícios de minha essência

Ao sabor da maré
Mar que vier
furioso, envolvente, silente

Barra da Tijuca, sexta-feira 13 de 2012

terça-feira, 19 de junho de 2012

Tempo de Esquecer



Normalmente esquecemos de coisas, fatos corriqueiros, desagradáveis do dia a dia. Esquecer um amontoado de lixo que nos deparamos durante o dia é algo trivial e necessário. Aprendemos desde cedo, que é importante esquecer coisas que foram ruins para nós e que nosso bem estar depende de esquecer tais coisas. Porém, e quando nosso bem estar depende de esquecer coisas boas? Parece contraditório, mas chega o tempo em que esquecer  o que foi bom é tão importante como esquecer o que nos fez mal. Então gera-se um conflito, pois nosso corpo, nossa memória, nosso emocional, já estavam acostumados com tais lembranças. Nossa Alma se nutria e desejava por esses momentos felizes.
Agora  estas lembranças passa a ser nosso purgatório. Como remover algo de nós que nos fez tão bem? Que foi tão bom? Algo que fez tão feliz? Como tanta felicidade pode o  de uma hora para outra passar a ser nosso inferno?
Remover esses momentos bons de nossa alma, é como separar o Ouro 18K, o ouro do cobre. Só se faz com altas temperaturas, altos sofrimentos. É como arrancar uma árvore já frondosa com suas raízes. Raízes que já penetraram profundamente. É como rasgar o coração com as próprias mãos para que a essência do mais doce perfume evapore e para sempre desapareça. É se consumir em chamas, para que das cinzas possa renascer como a Fênix.
Esquecer momentos felizes para poder sobreviver, és o grande paradoxo. Infelizmente, chegamos ao cume de algo que parece absurdo, esquecer os momentos felizes para poder viver.
Então se já temos a cota de coisas ruins e precisamos remover o que de bom existia em nós, lançamos nossa alma na mais profunda e tenebrosa escuridão.
É um exercício doloroso de morte, para depois ressurgir algo que não sabemos ao certo o que será e quando será.                                   
           19 de Maio de 2012


domingo, 3 de junho de 2012

A Rainha e o rei

O número um me traz,
uma porta na beira do cais.
Uma porta, numa porta atrás.

O três é de paus,
o rei esta morto
e a Rainha superficial.

O três é de paus,
o rei é de ouro,
e a Rainha, atrás dos tolos.

O rei é de paus,
a Rainha é de Ouro,
ouro de tolo...

Tempo a Tempo

Tempo a Tempo.
Tempo perdido.
Tempo encolhido,
transformado em
fumaça.
Num simples,
toque de mágica,
toque de mágoa,
que macula a
alma

domingo, 22 de abril de 2012

Depressão


Perambulas pelas ruas,
sem rumo, sem direção.
Teu quarto é a prisão profunda,
povoada de alucinações.
Fantasmas se divertem,
zombam de tua emoção.
Do passado, do presente,
emergem com prontidão.
E bebem teu sangue em taças,
com grande satisfação.
Tua súplica vacilante,
não tem eco, não tem noção.
Em vão se busca ajuda,
e não tem consolação.
Sozinho na noite escura,
caminhas por obrigação,
sem contenda e a perigo,
rumo a tua destruição.
O inferno é a mais valia,
é o ponto de culminação.
Teu céu é a desgraça,
lugar de sublimação.
A espada da vitória,
cravada na pedra do
teu coração,
Impede o prumo, a glória,
a tua realização.
A química que tu ingeres,
é o veneno que te catequisa,
te obriga, faz divisão.
Por um lado te exaltisa,
por outro robotização.
Segues no mundo
como um trapo,
sem rumo, sem laço,
até o dia da redenção.

segunda-feira, 2 de abril de 2012

Luzir na alma

Vago no silêncio da madrugada
a procurar a lembrança, resquicios
de tua essência
Teu perfume, teu halo
teu vulto, como a um fantásma
De olhos fechados, imerso
dentro de uma escuridão interior
Borbulham recordações estacatas
lampejos de momentos raros,
relicário da alma
E neste bombardeio fugente
tenta-se saciar das pequenas gotas
Invadido de tal estado imediato
estatico, congelado para o mundo
Em vão tenta-se destilar a saiva
que do passado emerge e neste
permanesce involuntário